segunda-feira, 27 de outubro de 2008

domingo, 26 de outubro de 2008

For my mamizinha


Minha mãe não me disse:
- Fode-te no mundo Raimundo.
Nem gritou lá do portão:
- Cuidado, nem tudo que brilha é oro fio.


Se chorou em minhas partidas foi escondido, embora acredite piamente que sim, chorou.
Eu que parti tantas vezes para tantos lugares e tantas outras para lugar nenhum.
Que queria, precisava e confundia.
Que sonhava, acordava e vivia um pesadelo.
Ela velou sim pelo meu sono, por minha vida. Ainda vela, lá de longe, sei que ainda vela.
Se de ímpeto fui um susto, persisti no ideal.
(- Desculpe pelos incontáveis sustos mamãe.)


Sempre houve ela, sempre há ela.


Ela que abriu mão de uma vida própria por um filho, para doar uma existência ao mundo, pronto e educado para labuta. Ela que muito cedo recebeu ingratidão em troca de todo esforço e sacrifício. Pois somos criaturas ingratas e cruéis nos períodos conturbados da infância e adolescência. Ela merece o céu. O céu com todas as suas estrelas e planetas não descobertos, o céu com todos os tesouros intergalácticos e vidas além planeta Terra.

E a gente erra tanto até perceber isso....
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imagem: Mary Cassatt

sexta-feira, 24 de outubro de 2008


BASEADOS NA VIDA REAL.


Na vida real de Amarilho Dedo.

Amarilho Dedo, vinte e quatro anos, batizado e crismado na Santa Igreja Católica Apostólica Romana. Virgem até os quatorze. Cabaço até ontem, sempre tem lapsos de memória e acaba acreditando nas pessoas, nas causas, nos sonhos, na ecologia.
Convive em casa, na rua, no trabalho, com alguns dos amigos imaginários que não quiseram partir após o término de sua infância.
Enfim:



BASEADOS NA VIDA REAL
Na vida real de Amarilho Dedo.


Logo pela manhã nosso herói exclama:
- Não boto fé molhei o beck com café.
Em resposta o espelho apedreja:
- Quando não é com cerveja...




Com o passar do dia nebulosidades interiores, também chamadas de pensamentos atordoam-no:
- Aqui em casa mora um Saci Inivisível (nome dos sacis invisíveis) que esconde tudo. Porque eu perco tudo, esqueço 90% e depois lembro, depois acho, o que conforme as regras da lógica* só pode ser interferência de saci. (* Anota-se: lógica particular de Amarilho e desenvolvida por ele mesmo.)

E atormentam-nooo:
- Será que está frio ou está calor?
- Levo o chapéu e o mata-moscas?

Amarilho Dedo vê a felicidade nas pequenas coisas,
- NOSSA como essa pinta na parede é folgazona.
Infelizmente, nunca entendem a piada.



Também tem discussões construtivas com camaradas quiméricos e não quiméricos :
- Ainda bem que não inventaram chapômetro, senão eu tava fudido.
Amarilhinho conjectura:
- Para mim não iria influenciar em nada, não dirijo.



Amarilho Dedo tem duvidas antes do adormecer:
- E as Bíblias nos quartos de hotéis? São para salvar os sem seda? Uma cortesia do Hotel para com esses pacatos habitantes do planeta? Muito melhor que servir para os interesses repressores e controladores cristãos.
- Quem poderá nos defender além de nós mesmos?
- É beija-flor de barro e arara-guará?



E uma certeza:
- Nunca tinha percebido como o caminhão de lixo é assustador.


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imagem: Naoto Hatori

* Valeu Arleson pela ajuda na hora de achar um nome para a figura...

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Branca de Nuvem


O fato de sentir-me só e sufocada pela presença de outrem nos mesmos cinco segundos, de querer estar sozinha e no próximo minuto necessitar de companhia É TUDO CULPA DO CLIMA.

Esse vento que sopra vindo de qualquer direção sempre mexe comigo.O sol queima minha pele, me faz sonolenta, querendo adormecer numa pétala de rosa gigante. Os maremotos então provocam terremotos em meu coração, um tipo de aceleramento cardíaco exótico.

O que gosto são das tempestades.
Ah as tempestades, as preliminares de sua chegada. Quando em profusão as folhas voam desordenadamente, misturados ao pólen no ar vêm os odores do caos, do desespero, do desejo, da luta e da coragem de povos longínquos ou não, contemporâneos, antepassados, quem sabe até futuros, ainda não aprendemos nada sobre a existência de portais ou dimensões paralelas. Como não falar do céu que nesse momento adquiri uma coloração de mil bombas atômicas jogadas a esmo. É quando a terra pari seus sentimentos.

E quando finalmente começa a chuva, se você se banhar nessa água, enquanto Zeus atira seus raios na humanidade, se você puder dançar nesse banho, correr nessa dança, cantar nesse raio, me ver em uma nuvem, você será liberto. Pretensão? Jamais, uma grande tempestade sempre liberta, alguém já o disse. Eu serei apenas a lembrança destas linhas.

Deve ser por isso que me sinto só, que todos em algum momento se sentirão sós. Raros tomam desse banho, poucos nos avistam, nos alcançam, nos seduzem.


Não nos vêem como realmente somos.
Eu por exemplo uma fadinha cantarolante e purpurinada.

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imagem: Selina Fenech

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Tem dias que não surge.

Viajo amanhã para o Irã.
Não vou de magrela porque a vendi.
Verdi foi o cara. Bob Marley, Raul Seixas, Frida Kahlo também.


Acordar cedo e ir trabalhar é chato.
Muito mais legal é catar cacos, fazer mosaicos, pentear macacos. Macacos alados e imaginários, tipo desses que moram em nossos armários.

O medo é normal.
O normal é comum.
O comum me dá medo.
Muito mais medo que o anormal.
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imagem: Sara Awyong

sábado, 4 de outubro de 2008

POR FIM...

Eu e a Moniquita vamos nos formar, amém.


Entretanto, o que para nós já está de bom tamanho, para nossas famílias é apenas o começo de uma Odisséia. Eles querem fotos, comemorações, discursos e sobretudo nos ver trajando aquela linda vestimenta – Beca- a qual só vamos usar nesse momento da vida. Apesar que seria uma "boa" moda para os estados do sul do país aderir a Beca para ir à padaria, ao supermercado, etc, vai saber, tem cada coisa que vira moda e a galera acha lindo, como por exemplo pagode.


O causo é que para satisfazer nossas amadas e esforçadas mães que tanto contribuíram (para não dizer deram subsídio total) para nossa formação lá fomos nós tirar fotos para convite já se preparando psicologicamente para o chá de cadeira que é uma Colação de grau. Por nossas mamães tudo.


Enfim pensamos, vamos escolher uma música, sei lá, nessas coisas você sempre escolhe uma música, sabe o mané que entra emocionado ao som lixo do Jota Quest ( se escreve assim?),a gostosa que vem quase requebrando as cadeiras ao som “ animador” da Ivete Sangalo, essas coisas. Agora é nossa vez! Ledo engano, ficamos decepcionadas ao descobrir que não tem música nenhuma, que só as pessoas que farão o baile de formatura vão escolher uma. Resignadas, sabendo que baile é demais para nós, que dançar uma bela valsa seria como jogar dinheiro em um belo vaso e puxar a descarga, resolvemos, então, para compensar postar aqui a música que se pudéssemos escolher nos acompanharia ( eu e a Mônica vamos entrar em par) em nossa entrada triunfal.

É essa aí em baixo:



Matheus Walter - PARANORMAL



Os garotos ai fizeram uma montagem engraçadinha...

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Adriana Calcanhotto - Senhas

I like very much...



Esse som traduz muito do que sinto...

PICOLÉ DE ABACAXI

Sou meu nome?
Sou meus traços?
Sou o que sou?

Meu gosto?
Meu dorso?
Sou o que penso?
O que acho?
O que tento?

Você quer me dar um abraço?
Atar em mim um laço?
Afastar de mim o perigo?
Obrigada, mas ando armada.

Perdi meu compasso e isso não é tão mal!
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imagem: Henri Matisse